José Mauro de Sousa Balbino

A gestão da qualidade é “o processo destinado a investir, continuamente, em mecanismos de melhoria, ou seja, de aumento da adequação de produtos e serviços ao fim a que se destinam” (PALADINI, 2004, p. 35). O processo, engloba, portanto, dois conceitos fundamentais para a sustentabilidade dos empreendimento, tanto para o de serviços como para o da geração de produtos. Mas muitas vezes, pela falta de orientação, de conhecimentos técnicos ou mesmo em razão de pouco entendimento das próprias experiências acumulados pelas instituições, o uso de ferramentas para esse processo são negligenciadas.

Com a globalização e em momentos em que tudo fica ao avesso, imprevisível como no atual, em que o mundo enfrenta uma pandemia, é fundamental a conscientização para a qualidade e o reconhecimento para a certificação de sistemas, fator indispensável para se sustentar a capacidade competitiva dos empreendimentos.

A certificação da qualidade além de aumentar a satisfação e a confiança dos clientes; orientar a capacitação dos recursos humanos; apontar estratégias para reduzir custos internos; aumentar a produtividade; reduzir desperdícios; melhorar a imagem e os processos continuamente; possibilita acesso a novos mercados. Aliados isso, permite avaliar as conformidades através de processos internos, garantindo ao cliente um produto ou serviço concebido conforme padrões, procedimentos e normas (ABRANTES, 2009).

Mas para seguir com esse propósito de gestão, as empresas que buscam qualidade devem criar uma mentalidade positiva de mudanças de comportamento, uma cultura de valores bem embasados (PALADINI, 2004), o que muitas vezes surge no seu meio como grande barreira e sem a qual os resultados não vêm.

Os empreendedores precisam estar atentos às alterações do cenário e às possibilidades de mudanças. Nesse sentido, qualquer melhoria e possibilidade de inovação deve ser buscada, testada e se possível aplicada. A organização que se propõe a qualidade como foco na sua gestão tem que ter a consciência de que a sua trajetória deve ser sistematicamente reavaliada. Precisam pôr em prática atividades voltadas para estabelecer e manter um ambiente para o trabalho em equipe e direcionado para as metas traçadas para a missão da organização.

Segundo Paladini (2004) a estrutura e o funcionamento do processo da gestão da qualidade envolvem referenciais que direcionam as suas ações, dentre essas, a forma como se entende a qualidade, palavra de domínio público, do cotidiano, muito embora com conceitos que frequentemente, não estão totalmente corretos, ao serem aplicados de forma incompleta ou desatualizada. O que é um problema. Aponta o autor que o grande desafio para o emprego da qualidade é que ela carrega dois componentes fundamentais para sua correta aplicação: o primeiro o espacial, ou seja, a qualidade envolve muitos aspectos simultaneamente, uma multiplicidade de itens e o segundo, o temporal. Nesse caso, refere-se ao fato de que a qualidade sofre alterações conceituais ao longo do tempo, isso é, trata-se de um processo evolutivo.

E assim ao longo da história, surgiram várias abordagens sobre o tema, o que torna necessário um sólido conhecimento sobre as terminologias empregadas, caso contrário pode se tornar algo vago numa organização se todos não compartilharem a mesma definição para o termo. Gerentes, engenheiros, pesquisadores, técnicos, usuários, fabricantes, clientes, pessoas envolvidas com qualidade de um produto ou serviço precisam perceber as diferenças de enfoque dadas ao termo, na área de atuação. É fundamental entender que os conceitos expostos reflitam a realidade daquele momento. Afinal, mesmo políticas de longo alcance sofrem alterações em face de mudanças mais ou menos bruscas do mercado (PALADINI, 2004), como exemplo concreto, tem-se este momento. Assim, definir qualidade de forma errônea leva a gestão da qualidade a adotar ações cujos reflexos podem ser extremamente sérios para o empreendimento, em alguns casos, as consequências podem ser fatais em termos de competitividade.

Dentre as diversas definições de qualidade a que a trata de adequação ao uso, embora bastante geral é base para as demais, pois tem como foco clientes e consumidores. Embora sejam diversos as variáveis que o cliente considera quando decide adquirir um produto ou utilizar um serviço a escolha é pelas características que eles têm, para atender às suas necessidades, preferências ou conveniências, gostos etc. E aqui surge o grande papel daqueles que estão envolvidos com a gestão da qualidade, uma vez que a seleção de quais dessas características estarão presentes nesse produto ou serviço é decisão de quem oferece. Dessa decisão dependerá a venda e vender, como se sabe, é o componente estratégico fundamental – é disso que depende a sobrevivência do empreendimento.

Portanto, considerando novamente o estágio atual da alteração da normalidade mundial é necessário, que sejam buscadas mudanças de estratégias e dentre essas tratar de formulá-las com base em uma gestão que invista na adequação dos empreendimentos para os seus usuários aliado a eficácia na sua geração.

Desse modo fica, então, como o propósito desta matéria estabelecer um desafio para os empreendedores e aprendizes: que sigam na busca dessa forma de gestão como maneira de superar os desafios que envolvam todos os empreendimentos que passa pelo atender aos clientes, superar a concorrência, aplicar da melhor maneira possível as tecnologia disponíveis e cumprir com as legislações.

Para a organização de um sistema de gestão da qualidade alguns pontos são fundamentais devendo serem considerados ou destacados visando a escalada em direção ao sucesso, sendo eles: o plano de gestão, atrelado aos propósitos ideológicos, missão, visão e valores; o fortalecimento das habilidades e competências do conjunto de recursos humano e a rede de contatos e de assessoria para essas capacitações. Aliado a essa base deve-se destacar o conhecimento, a motivação, a vontade, a criatividade e espírito de inovação, o comprometimento, a versatilidade e a estratégia para a atuação de todo o recurso humano da organização na mesma direção.

Além disso, ao pensar em sistemas voltados para a qualidade, não se pode desconsiderar outro conceito fundamental que é o do desenvolvimento sustentável. Aqui, merece destacar que as Nações Unidas há muito vem tratando desta pauta e hoje, não se pode conceber que aqueles que estejam à frente dos processos de gestão, desconsiderem esse tema. Recentemente, as principais lideranças mundiais referendaram os Objetivos de desenvolvimento sustentável – ODS, como mais um conteúdo a ser alinhado a todos os empreendimentos públicos ou privados (TRANSFORMANDO…, 2016). Não se alinhar a eles, corre-se o risco de em breve ficar definitivamente fora do cenário dos negócios.

Segundo a pauta dos ODSs tratar da produção ou dos serviços, sem atentar para os impactos sociais e dos desafios ambientais com a exploração dos recursos naturais, seja da matéria prima específica ou com o uso da água e energia bem como com a destinação adequada dos resíduos é algo insustentável.

REFERÊNCIAS

ABRANTES, José. Gestão da qualidade. Rio de Janeiro: Interciência. 2009. 369 p.

PALADINI, Edson Paladini. Gestão da qualidade: teoria e prática. 2. ed. São Paulo: Ed. Atlas. 2004. 339 p.

TRANSFORMANDO Nosso Mundo: a Agenda 2030 para o desenvolvimento sustentável. Traduzido pelo Centro de Informação das Nações Unidas para o Brasil (UNIC Rio). [S.l.: s.n.], 2016. 54 p.

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