“Atenção senhores passageiros, permaneçam em suas poltronas com o cinto de segurança afivelado, estamos passando por uma área de turbulência” – essa é a mensagem no espaço aéreo. E aqui embaixo, em plena pandemia, como são as tomadas de decisão?

Todos os dias tomamos uma série de decisões, desde a hora de acordar, até a hora de dormir e assim, sucessivamente, passando por decisões de pouco impacto a outras geradoras de mudanças em nosso entorno e, por ressonância, no mundo.

Em termos neuropsicológicos, a tomada de decisão se refere a um processo cognitivo de escolha que envolve análises emocionais e racionais de nossas experiências passadas, considerando riscos e suas implicações para o presente e para o futuro (Bechara, Damasio, Tranel, & Damasio, 1997).

Pesa muito na balança, de acordo com a Psicologia da Decisão, o resultado que esperamos após a decisão tomada. Em fração de segundos podemos analisar se teremos mais ganhos ou mais perdas, se será uma decisão de grande ou de pequena magnitude, quanto tempo teremos que esperar para obter o resultado desejado e a probabilidade deste resultado acontecer ou não. Uma técnica útil para essas horas é a da “Balança Decisória” (Cowley e cols., 2002) – análise quantitativa e qualitativa de prós e contras, inferindo pesos a cada argumento.

Nem sempre a tomada de decisão é puramente racional. Requer tanto conhecimentos explícitos, quanto implícitos e possui elementos motivacionais envolvidos. Alguns dirão: “penso muito antes de tomar uma decisão”; outros, mais impulsivos: “tomo decisões sem pensar”; e outros com receio dirão “não consigo tomar decisões”, sinalizando decidofobia, ou o medo de decidir.

As decisões mais difíceis são quando estamos em uma situação de escolha sob risco ou ambiguidade, podendo até gerar repercussões emocionais e físicas. Fazer uma escolha sempre implica em abrir mão de algo não escolhido.

Como decidir em momentos de turbulência? A decisão também pode ser aguardar a tempestade passar. Exemplo disso é a pandemia da COVID19, que assola o primeiro semestre de 2020, sendo necessário cautela para que a precipitação não afete projetos em andamento. Nesta esteira podem ser citados os estudantes de ensino superior que se desesperam achando que o problema é só deles, e por não verem saída, abortam sonhos em andamento.

Enquanto protagonistas desta história, é possível usar este período em que estamos “afivelados”, para refletir sobre nós mesmos, nosso papel social, organizar os pensamentos e retornar mais forte, após este divisor de águas pelo qual estamos passando. Por mais que a palavra de ordem seja isolamento, este não é um desafio de uma pessoa isoladamente e sim, um desafio grupal, planetário.

 

REFERÊNCIAS

  1. Bechara, A., Damasio, H., Tranel, D., & Damasio, A. R. (1997). Deciding advantageously before knowing the advantageous strategy. Science,275(5304), p. 1293-1295.
  2. Cowley, C.; Farley, T.; Beamis, K. (2002). “Well, maybe I’ll try the pill for just a few months“. Families, Systems & Health, 2002, p. 183.

Texto: Eliane Stédile, psicóloga clínica, CRP16/2731; docente e coordenadora do Núcleo de Apoio Psicopedagógico (NAP) do Grupo FAVENI.

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