TROTE SOLIDÁRIO 2020-1 DO CURSO DE ENFERMAGEM

A Missão institucional valoriza a pessoa humana entendida como um todo, um ser em relação com o seu semelhante e o mundo sociocultural que o cerca, tendo como base de relação o diálogo, como princípios o respeito e a promoção dos direitos humanos, a educação e a integralidade na assistência nas ações e no trabalho. Neste contexto, surge o Projeto: “TROTE SOLIDÁRIO” proporcionando aos acadêmicos do Curso de Enfermagem, da Faculdade  FAVENI,  atitudes de solidariedade e cooperação, respeitando o outro: humanização.

“ A humanização tem a ver com a palavra latina húmus (“terra”, “chão”)… o conceito de humanização permite a concepção do contexto universal que reconhece o ser humano inserido na natureza e caracteriza a vida pela busca da felicidade, do bem viver e do bem-estar entre todos, considerando todas as vertentes humanas que os proporcionam” (CIMINO, 2016, p. 11 e 25).

Neste ano de 2020, a turma do 3˚ período do Curso de Enfermagem realizou, na primeira semana de fevereiro de 2020, o TROTE SOLIDÁRIO  com os calouros de 2020-1 do curso de   Enfermagem.  Com o objetivo de arrecadar fraldas geriátricas e kits de higiene pessoal para  serem  doados ao Hospital Padre Máximo (HPM), beneficiando as pessoas carentes hospitalizadas.

A coleta de pacotes de fraldas geriátricas, em todos os tamanhos, e dos kits de higiene pessoal, foi realizada pelos veteranos que aplicaram o chamado trote solidário nos calouros, como forma de dar-lhes boas vindas.

O corpo docente e os acadêmicos estimulam a coibição de qualquer tipo de trote violento, sendo todos estes, cônscios de suas responsabilidades e guardiões dos direitos e das liberdades.

Hoje, 25 de junho, foi realizada a entrega das doações para o Hospital Padre Máximo na sala da Coordenação do Curso de Enfermagem FAVENI.

A Engenharia Ambiental foi criada pela portaria n°1693/1994 do Ministério do Trabalho e do Desporto, que discriminou as disciplinas que devem existir na grade curricular das instituições que ofertam o curso de Engenharia Ambiental. Após seis anos, o CONFEA (Conselho Federal de Engenharia e Agronomia), criou a resolução número 447/2000, que dispõe sobre o registro do profissional de engenharia ambiental no CREA e atribui suas atividades profissionais.

Para exercer sua profissão, o graduado em engenharia ambiental deve requerer seu registro junto ao Conselho Regional de Engenharia e Agronomia (CREA). O CREA está presente em todos os estados brasileiros e tem a função de orientar e fiscalizar as atividades dos profissionais. Após sua colação de grau, o profissional deve acessar o site do CREA (<http://www.creaes.org.br/creaes/>) e realizar seu cadastro e o pedido de registro. Para o cadastro, o profissional deverá escanear e converter seus documentos pessoais para pdf (carteira de identidade, CPF, título de eleitor, comprovante de quitação com a justiça eleitoral, certificado de serviço militar para profissionais do sexo masculino, comprovante de residência, carteira de trabalho e exame laboratorial com tipo sanguíneo). Também será necessário fornecer documentos comprobatórios da graduação (diploma ou certificado de conclusão de curso e histórico escolar).

Ao concluir a solicitação, será emitida uma taxa de Registro e Carteira que deverá ser paga em qualquer rede bancária. Após o deferimento da solicitação, será encaminhado o boleto referente a anuidade ao profissional. Será concedido desconto especial de 90% do valor correspondente a primeira anuidade, ao profissional recém-formado em curso das áreas abrangidas pelo Sistema CONFEA/CREA, desde que solicitado registro até 180 dias após a data de conclusão do curso.

Após a confirmação do pagamento da anuidade, o profissional deverá comparecer a um dos locais de atendimento do CREA, portando os mesmos documentos originais que foram escaneados, que serão restituídos após conferencia e duas fotos 3×4 recentes, coloridas, com fundo branco.

Após recebimento da carteira de registro, o engenheiro ambiental está apto para executar suas atividades profissionais em todo território nacional, visto que, se o profissional for atuar fora do seu estado onde requereu o registro, pode ser feito o pedido de visto para atuar nos diversos estados brasileiros.

De acordo com a resolução número 447/2000, o engenheiro ambiental está autorizado em atuar nas seguintes atividades, referentes a administração, gestão e ordenamento ambientais e ao monitoramento e mitigação de impactos ambientais, seus serviços afins e correlatos:

Nenhum profissional poderá desempenhar atividades além daquelas que lhe competem, pelas características de seu currículo escolar, consideradas em cada caso, apenas, as disciplinas que contribuem para a graduação profissional, salvo outras que lhe sejam acrescidas em curso de pós-graduação, na mesma modalidade.

Edilson Sarter Braum

Engenheiro Sanitarista e Ambiental

Mestre em Ciências Florestais

De 12 a 20 de maio a Direção da Faculdade FAVENI, juntamente com a Coordenação e Docentes do Curso de Enfermagem da FAVENI realizaram a III Semana de Enfermagem, desta vez, na modalidade online, pela plataforma Zoom. A participação dos alunos superou as expectativas chegando ao pico de 83 participantes simultaneamente no evento.

O Tema Central foi “A Enfermagem e os Desafios da Prática Profissional”. A abertura virtual do evento, dia 12 de maio se deu pela divulgação de vídeos em homenagem aos alunos do curso e aos profissionais de saúde.

Nos dias 18 a 20 de maio a programação foi intensa, trazendo temas atuais. Na abertura, houve a participação da Direção da Faculdade Prof. Doutora Ana Paula Rodrigues, onde a mesma deixou uma mensagem de incentivo para os alunos, contou também com a palavra da Gestora de políticas acadêmicas a Prof. Doutora Driele Rossi, com a presença da Secretária de Saúde do munícipio de Venda Nova e com a Coordenadora da Enfermagem, Solange Ap. Mauro Fioresi, onde a mesma apresentou uma homenagem ao dia da Enfermagem. O evento recebeu a participação de professores da FAVENI e também de convidados externos. A mestre de cerimônia foi a professora Cristiani Spadeto, que conduziu a atividade com tranquilidade e atenção.

A primeira Mesa Redonda, foi mediada pela professora Mirella Dias Gonçalves e abordou o tema “O Impacto da Pandemia da COVID-19 nos Serviços de Saúde”, trazendo Gabriela Ferreira Nunes, Enfermeira e Mestre em Saúde Coletiva, a Enf. Paula Eller Uliana, Especialista em Unidade de Terapia Intensiva e a professora e Enf. Maria Rozária Andreão, Mestranda em Saúde Coletiva com ênfase de Estratégia de Saúde da Família.

No dia seguinte, palestras sobre o tema “O Panorama Epidemiológico e Molecular do Coronavírus”, tiraram dúvidas sobre o assunto. Destaque ao professor João Victor da Silva Coutinho, Doutorando em Ciências Fisiológicas e Mestre em Ciências Fisiológicas, que foi habilidoso na explicação da fisiologia da doença, juntamente com professor Murilo Soares Costa, Doutorando em infectologia e Medicina Tropical, propiciando visão de conjunto sobre a temática.

E por fim, o tema da última Mesa Redonda, mediada pela professora Gabriela Ferreira Nunes, trouxe o tema “O Impacto da Pandemia da COVID-19 na Saúde Mental dos Trabalhadores da Saúde”, com a psicóloga Eliane Stédile, o psiquiatra Dr. Valber Dias Pinto, Mestre em Ciências Fisiológicas e a pós Doutora em Psicologia Mônica Portela, pioneira da Psicologia Positiva no Brasil e autora de diversos livros na área.

Solange Ap. Mauro Fioresi, Coordenadora do Curso, e Mirela Gonçalves Dias, da Comissão Organizadora, acompanharam todas as etapas do evento e estiveram atentas para que tudo acontecesse com qualidade. “Tivemos grande adesão. Mesmo com alguns problemas de internet, para os alunos pertencentes a zona rural, conseguimos reunir muita gente, tanto alunos e comunidade acadêmica” comemora Mirela.

Ao final as palavras que predominaram no chat do evento foram “Parabéns! Obrigado!”. Além da gratidão, fica também o “gostinho de quero mais”. Porém, agora só em 2021 – aguardem!

DEPOIMENTOS DE ALGUNS ALUNOS SOBRE O EVENTO

“As palestras ofertadas pela faculdade FAVENI, contribuíram muito para o nosso crescimento profissional e pessoal. Os palestrantes muito bem preparados, dominaram o assunto em questão. Drª Mônica Portella e a Psicóloga Eliane Stédile, resumem muito bem o que estamos vivenciando em 2020, um ano difícil para todos, principalmente na saúde mental da enfermagem. Muitas perguntas foram feitas, muitas soluções foram ofertadas, sempre enfatizando a dura realidade da pandemia na profissão que escolhemos e onde tudo é passível de mudanças. Os conteúdos ministrados pelos convidados, abordaram a nossa desafiadora realidade, mostrando como enfrentar o problema de maneira mais adequada e segura, tanto na prevenção, quanto no preparo psicológico dos envolvidos. Porém, isso mostra que, enquanto um sofrimento resultar em aprendizado, será aconselhável vivê-lo, tirar proveito disso, colher sabedoria e maturidade em tempos de crise”, comenta Geovana Cesconetto Dorzenoni, aluna do 7º período de Enfermagem.

“Venho por meio deste, como solicitado pela Solange deixar aqui minha avaliação para o curso dessa semana. Gostaria de dizer que foi muito produtivo e muito satisfatório para mim poder ter tido a oportunidade de ampliar os meus conhecimentos por meio de cada uma das palestras ministradas, me sinto honrada por fazer parte de uma faculdade que em meio a essa situação conflitante que estamos vivendo, tiveram a gentileza de pensar em nós alunos e nosso bem estar. Todas as palestras foram muito enriquecedoras, e bem sabemos que o conhecimento é algo que ninguém pode nos tirar, portanto essa semana com a certeza, serviu para nos mostrar que somos capazes apesar das turbulências de vencer mais esse desafio sem deixar a “peteca cair”. O meu muito obrigada a todos os envolvidos”. Josilane Aparecida Gomes, aluna do 7º período de Enfermagem.

“As palestras foram muito boas e importantes no momento em que estamos vivendo, deu para absorver bastante coisa, foram todas de fácil entendimento. Achei muito importante as palestras, em especial a de quarta-feira que para mim, foi essencial e a que mais me chamou atenção, pretendo me aprofundar mais nos assuntos e ler os livros indicados pela. Todas foram ótimas, estão de parabéns!!” Gabrielly Ferreira Fazolo, aluna do 3º período de Enfermagem.

“Primeiramente, a semana de enfermagem foi sensacional, gostaria de ressaltar e agradecer por todo carinho e conhecimento transmitido para gente, mesmo todos distantes e com algumas dificuldades, vocês capricharam nos conteúdos, deixando cada dia mais seus alunos atualizados e bem informados. Sabemos que estamos passando por um momento complicado e mesmo assim vocês tiveram a empatia de preparar com todo o carinho essa semana para gente, só temos que agradecer! Conhecimento de qualquer forma ou lugar sempre é bem-vindo. Gisele Destefane, aluna do 3º período de Enfermagem.

“Foi de grande importância esses três dias de conversa com os palestrantes, pois pude aprender um mais com pessoas que tem domínio sobre aquele assunto, achei muito bom, principalmente na terça feira que os palestrantes falaram sobre o novo coronavírus e puderam sanar diversas duvidas que essa doença nos trás. Por esse motivo, acredito que essa semana mereça nota 10, pelo empenho de todos que participaram dando as palestras e dos professores envolvidos, que sempre estão dando o melhor de si para fazer com os alunos adquiram conhecimento, principalmente nesse momento tão difícil. ” Carolyne Kemelly da Silva Pereira. Aluna do 1º período de Enfermagem.

“Gostaria de parabenizar a todos os envolvidos na programação da III Semana da Enfermagem FAVENI. Todas as palestras e bate papo, foram de grande valia e contribuíram para o aprendizado dos alunos que tiveram a oportunidade de participar dos três dias de programação. Os assuntos abordados por cada professor/ palestrante foram de suma importância para o momento atual que estamos vivendo. A sugestão que tenho para o próximo evento é que os alunos que tiverem interesse em realizar alguma apresentação tivessem um espaço também. Rodrigues Fávero Lorenzon, aluno do 3° período de enfermagem.

DEPOIMENTOS DE DOIS PALESTRANTES SOBRE O EVENTO

De acordo com o psiquiatra Dr.  Valber Dias Pinto, conferencista convidado, “o evento online facilitou minha participação e ocorreu com ótimo aproveitamento. A discussão desses temas em tempos de pandemia engrandece o trabalho de todos. Sou grato pelo convite”.

Fechando com chave de ouro o evento, a conferencista de renome nacional, Dra. Mônica Portella, trouxe conteúdo e técnicas para aumentar a resiliência em tempos de pandemia: “agradeço a equipe organizadora por poder participar da Semana de Enfermagem da FAVENI. Foi muito bom compor a Mesa Redonda e falar para um grupo de alunos e professores interessados e comprometidos com a saúde integral das pessoas. Que possamos fazer juntos uma diferença positiva e operante no planeta azul. O planeta precisa de profissionais de saúde devidamente qualificados, apenas boas intenções não farão a diferença”, destaca Mônica Portella.

Que isso passe logo é que nos tornemos fortes! Foi uma experiência única é fortalecedora.

Parabéns! Obrigado!

Que isso passe logo é que nos tornemos fortes! Foi uma experiência única é fortalecedora.

AUTORAS DO TEXTO:

-Solange Ap. Mauro Fioresi, Coordenadora do Curso de Enfermagem da FAVENI.

-Eliane Stédile, psicóloga, professora da FAVENI e coordenadora do NAP – Núcleo de Apoio Psicopedagógico da FAVENI.

FOTOS DA LIVE:

Identificar-se como ser de linguagem traz diversas implicações. E é isso o que somos. Quando dizem que o ser humano é sociável e, ainda mais, precisa da interação com o outro, no fundo se está afirmando isto: somos seres de linguagem. Determinação da qual não podemos escapar, condição inclusive cantada em verso e prosa, como na letra de Tom Jobim: “É impossível ser feliz sozinho”.

Se for possível afirmar que em algum momento da evolução humana optamos pela linguagem, desde há milênios não há escolha. E essa determinação traz aspectos diversos, tanto positivos, quanto negativos, afinal, nem tudo são flores. E isso todo ser humano, toda pessoa consegue perceber, à sua maneira, afinal, lembrando agora de outro compositor, Caetano Veloso, “Cada um sabe a dor e a delícia de ser o que é”.

Estamos, portanto, fadados à linguagem, o que, rememorando Clarice Lispector, é sorte às vezes. Entretanto, o que significa exatamente estar fadado à linguagem, à palavra? Entre diversos aspectos, um deles é este: necessitamos da comunicação, da interação pela palavra, do diálogo. E a partir desse imperativo, podemos pensar um pouco sobre o que isso implica em nosso cotidiano e, mais ainda, quais as peculiaridades disso em nosso contexto contemporâneo, mais especificamente em tempos de quarentena e isolamento social.

Ora, certamente que ter de se comunicar, de interagir com o outro não é apenas um fado. E ter prioritariamente a palavra para fazê-lo, também não, por isso o às vezes dito por Clarice. Acontece que isso ocorre de formas diversas no contexto e nem sempre essa determinação flui com tranquilidade, aliás, quase nunca. Atreladas à necessidade de diálogo, quais outras se colocam? Ou , antes, como fazemos para cumprir com essa imposição? Uma resposta adequada a questionamentos como esses precisa ser identificada no tempo. Isso significa que, historicamente, a humanidade vai estabelecendo formas diversas de diálogos e, igualmente, exigências diversas a partir dessa necessidade de comunicação. Pensemos um pouco, então, sobre como isso ocorre no contexto contemporâneo.

Desde o advento da internet e suas interações virtuais, a comunicação ganhou aspectos peculiares e a forma como o ser humano se relaciona com a palavra foi recebendo novos contornos. Vale ressaltar que isso não é exclusivo da atualidade, visto que essas mudanças sempre acontecem, ou seja, em cada momento histórico a comunicação e o diálogo – logo, a linguagem – apresentam seus contornos próprios. Mas, um aspecto dessa proliferação virtual que se destaca é a possibilidade múltipla de interlocutores. Aliás, essa perspectiva já se apresenta com a explosão urbana em si, iniciada já há alguns séculos. Processo em que mais pessoas passaram a dividir espaços comuns, por momentos maiores, o que levou o sujeito a interagir com mais pessoas e mais cotidianamente.

Este seria então o panorama atual: pessoas aglomeradas em cidades, interagindo cotidianamente com o número razoavelmente alto de pessoas, nos contextos mais diversos: trabalho, escola, lazer, etc. Acrescentam-se a esse contexto as interações virtuais. Então, além de interagir com pares diversos em seu cotidiano, o sujeito interage ainda com outros pares mais no universo virtual – whatsapp, facebook, instagram, twitter, salas de bate-papo, chats, blogs, fóruns virtuais, páginas de internet, enfim, uma ninhada de possibilidades.

A princípio, sendo a interação pela palavra uma necessidade, isso parece ser uma maravilha: temos uma infinidade de possibilidades de diálogos. Certo? Nem tanto assim, afinal, não é bem o que se parece. É que nesse caso, quantidade não é mesmo sinônimo de qualidade. Diz Bakhtin que a linguagem é dialógica, isso significa que a palavra em si pressupõe um diálogo, mas o que seria exatamente dialogar? Em linhas gerais, o diálogo pressupõe uma troca entre interlocutores; troca de palavras, pela linguagem, a qual permite que se estabeleça uma comunicação entre pessoas. E a comunicação, por sua vez, significa “pôr em comum”, “tornar comum” uma ideia, um pensamento, um sentimento. Processo esse que é um verdadeiro dilema.

Tornar algo comum pela linguagem não é tarefa tão simples. Fazer chegar ao outro a minha mensagem exige um trabalho profundo com a palavra. É aí que se deve pensar a qualidade do diálogo. Refletindo mais especificamente sobre o contexto da internet, pode-se perguntar: que diálogo é possível com a quantidade limitada de caracteres? Ou, o que eu consigo realmente trocar com meu par numa limitação de caracteres e espaços? Qual a troca viável em um meme ou num like? O que consigo trocar com meu par num comentário de uma postagem? E essas são perguntas importantes, afinal, toda nossa existência se baseia nessas trocas linguísticas, lembrando Lacan.

Nosso contexto atual já enfrenta alguns problemas por “trocar” a qualidade pela quantidade. Lembrando de um quadro de Raoul Hausmann, uma colagem, “ABCD”, de início do século XX – o qual expõe um sujeito angustiado em meio a tantas informações, a tantos diálogos mal estabelecidos -, podemos pensar a angústia do sujeito do século XXI. E ao substituirmos a qualidade pela quantidade, vivemos a angústia de diálogos mal estabelecidos, mas camuflada pela ilusão de que falarmos ao monte já resolve. É o excesso da produção capitalista.

Quem não teve a impressão de que precisava dizer mais, ou ouvir/ler mais para melhor compreender ou ser compreendido? Quem não sentiu que aquela quantidade de caracteres, aquele espaço para o comentário não eram o bastante? Quantos não carregam consigo a sensação de que precisavam dizer mais? Na experiência de sala de aula, os professores têm relatado um aumento na quantidade de alunos que passam as aulas todas conversando, ou ao menos falando excessivamente. Mas, o que será que dizem? Tantas palavras publicadas, tantos diálogos simulados, porém, o que está sendo dito no mundo: “Eu presto atenção no que eles dizem, mas eles não dizem nada”, Humberto Gessinger. Será que as pessoas têm conseguido dizer o que realmente precisam ou desejam?

A incompreensão dos diálogos mal sucedidos dos espaços virtuais se acentua ainda pela necessidade de outras trocas que compõem a comunicação e que a internet, por mais tecnologicamente avançada que seja, não consegue suprir: o olhar, a fisionomia, o toque, o odor. Esses aspectos são possíveis no contato real, olho a olho. Mas mesmo assim, ainda temos excesso de interlocutores em nosso cotidiano, exageradamente exacerbado pela correria diária de tantos afazeres, que mal conseguimos dizer ou ouvir, ou seja, não ouvimos nem dizemos o bastante exatamente porque não dizemos o que desejamos ou precisamos dizer. Mas ainda assim vivemos a ilusão do excesso de quantidade, do exagero.

E é nesse momento que ocorre uma possível virada em todo esse processo. Trocamos parte do excesso de interlocutores, comum ao nosso cotidiano, por um número bem restrito deles. A comunicação virtual permanece tacanha e aqueles elementos que encontrávamos nas muitas pessoas com as quais interagíamos cotidianamente agora precisamos encontrar em uma, duas, três pessoas. Agora, sem qualidade, nem quantidade. Nós dialogávamos – ainda que diálogos mal sucedidos – tanto com o mundo lá fora que nem o diálogo mal feito estávamos estabelecendo em nossas casas.

Agora precisamos dialogar com quem pouco dialogávamos. E, sendo menos pessoas, é natural que os diálogos também sejam reduzidos em sua quantidade. Mas continuamos tendo muito a dizer, é a nossa condição, e aí resta apenas desafogar em quem está na frente. De repente percebemos que aquela filha, que sim, já se sabia que fala bastante, está ainda mais falante. O mesmo com aquele filho, aquele marido, aquela esposa, aquela parceira, aquele parceiro, um ou outro parente.

E o mais surpreendente e desesperador disso é que, com pouquíssimas pessoas para se dialogar, sobra-se algum tempo para o diálogo consigo mesmo. Quem ainda não se deu conta de que de repente está falando sozinho mais do que antes. Conversando com si próprio mais do que antes. Ora, esse é o diálogo que realmente importa, porque ele possibilita um encontro com a nossa verdade, um encontro com nós mesmos, processo de grande valia para que a pessoa se conheça um pouco mais e, com isso, construa a sua melhora. Porém, é exatamente desse diálogo que tanto corremos diariamente, substituindo-o por diálogos mal sucedidos com tantos interlocutores.

Não obstante, na nova realidade que se impõe atualmente, onde falta a quantidade, pode sobrar a qualidade. Então, algumas possibilidades comuns nessa quarentena: a pessoa se afunda ainda mais nos diálogos virtuais; tenta aprender a dialogar com quem está debaixo do mesmo teto; passa a dialogar mais consigo mesmo, ainda que à revelia. Revelia sim, pois embora esse seja o diálogo mais importante, é dele que mais corremos. Não é à toa que o excesso de interlocutores é tão bem aceito na sociedade.

E como sempre é possível e necessário nos repensarmos continuadamente, uma possibilidade interessante é o exercício de reaprender a dialogar profundamente, sem limite de caracteres os espaços, sem a pressa de outro interlocutor à espera, com a possibilidade de buscar, no universo das palavras, aquelas que permitirão me tornar comum e permitirão ao outro também tornar o seu particular comum a mim. Dialogar com o outro e consigo mesmo, com tempo de sobra, para ouvir, para falar, para entender, se entender e se fazer entendido.

Jefferson Diório do Rozário é professor da Faculdade FAVENI, doutor em Letras pela UFES, com pesquisas e publicações nos estudos de Literatura e Psicanálise e Literatura e Filosofia.

José Mauro de Sousa Balbino

Professor FAVENI – Faculdade Venda Nova do Imigrante.

Para se estabelecer um sistema para a gestão da qualidade de produtos agrícolas é fundamental iniciar pelo que se entende sobre qualidade e neste particular para esse tipo de produção. Mas, assim como abordado por vários estudiosos, Hewett (2006) também ratifica que qualidade não é um termo fácil de se definir, em razão de que as pessoas têm expectativas diversas para um determinado produto.

Segundo Wills et al. (1981) na atividade agrícola, qualidade pode ser analisada conforme a percepção dos diferentes segmentos ao longo da cadeia de produção e distribuição. Relata que para o agricultor a percepção está principalmente na produtividade, resistência a pragas e doenças, facilidade no manuseio pós-colheita e na aparência do produto. Já o distribuidor valoriza mais a sua aparência, firmeza, resistência ao transporte e durabilidade. Por fim, para o consumidor os atributos mais percebidos para a qualidade referem-se a aparência, firmeza, sabor (açúcar/acidez), aroma, aspectos nutricionais e ausência de contaminantes.

Isso, ainda faz sentido? Para quem se deve direcionar o foco quando se trata da questão, qualidade?

Nesse contexto, Hewett (2006), descreve que a qualidade é “adequação à finalidade”, é o estado do produto, que se encontra com as expectativas do cliente / consumidor o qual abrange questões como a posição do indivíduo na cadeia de abastecimento, o poder financeiro, bem como a formação cultural do comprador. Portanto, se os empreendedores não reconhecerem tais necessidades e desejos, então um declínio no consumo pode vir a ocorrer.

Assim sendo, segundo Mitcham (1996) o início para se estabelecer um padrão de qualidade é determinar critérios para o produto, os quais podem ser formulados a partir de alguns questionamentos básicos. O que os clientes querem? O que os preocupam mais? Eles estão mais preocupados com o preço e disponibilidade ou com a qualidade? É maturação e sabor ou aparência o aspecto mais importante? “Pode haver diferentes fatores de qualidade para diferentes tipos de clientes”. Portanto, com os critérios estabelecidos, segue-se com o desenvolvimento de meios objetivos para medir os fatores de qualidade, mantendo-se registros que permitam a avaliação do desempenho da empresa e com esse tipo de ação auxiliar nas decisões de gestão na propriedade.

Segundo legislação brasileira (artigo 1° inciso XXV do Decreto n° 6.268):

Qualidade é o conjunto de parâmetros ou características extrínsecas ou intrínsecas de um produto vegetal, seus subprodutos e resíduos de valor econômico, que permitam determinar as suas especificações qualiquantitativas, mediante aspectos relativos à tolerância de defeitos, medida ou teor de fatores essenciais de composição, características sensoriais e fatores higiênico-sanitários e tecnológicos (BRASIL, 2007, p. 2).

Com base nesse conceito e para facilitar o seu entendimento, pode-se exemplificar com as características, descritas para alguns produtos agrícolas. Para a alface, uma importante hortaliça folhosa, incluem-se no padrão de qualidade atributos como aparência, composta por tamanho, frescor, ausência de defeitos e de danos, cor característica e forma de apresentação; há a textura, constituída pela firmeza, suculência e crocância; tem-se a durabilidade; o sabor; o valor nutritivo; a ausência de patógenos e contaminantes físicos (insetos e seus fragmentos) e o respeito aos limites de resíduos de agrotóxicos, os quais conferem segurança ao alimento, tornando-o saudável.

Para outro exemplo, o morango, Mitcham (1996) inclui: o estádio de amadurecimento, geralmente definido pela percentagem de cor rósea ou vermelha do fruto; o seu brilho, um indicativo de frescor e de ausência da perda de água; a ausência de defeitos, considerando nesse caso deterioração, machucaduras e murcha; o tamanho e a uniformidade aspectos que compõe a sua aprência. Segui destacando, o sabor e aroma, determinados pelo teor de açúcar, acidez e pelos compostos voláteis; a sua composição nutricional; a firmeza, com a ausência de frutos moles, muito maduros (passados) ou com estravazamento de suco, que são aspectos associados à sua durabilidade e os atributos de segurança citados no exemplo ainterior.

Quanto à segurança do alimento, o termo significa a garantia de inocuidade, ou seja, que estejam livres de perigos de qualquer natureza, que possam colocar em risco a saúde ou a integridade do consumidor. Assim, uma vez que considerar risco igual a zero é impraticável, deve-se buscar reduzi-los ao máximo, para um nível aceitável (FORSYTHE, 2005) respeitando às legislações.

Merece aqui destacar o que diz o Código de defesa do consumidor (Lei nº 8.078, de 1990), que estabelece com clareza os direitos básicos como proteção à vida, saúde e à segurança contra riscos provocados por produtos e serviços (BRASIL, 1990). O consumidor tem o direito à garantia de qualidade, nesse caso destacada pela aquisição de alimentos seguros e à informação clara e precisa a esse respeito.

Para o mercado de produtos agrícolas perecíveis, vem crescendo algumas tendências que precisam ser percebidas pelos empreendedores para que possam superar desafios dentro da atividade. Assim, embasados em estudos e pesquisa de mercado, publicados por diversas consultorias Moda, Gonçalves e Barbieri (2019), apontam para o mercado de frutas, algumas tendências que denominaram de novos influenciadores de consumo (Quadro 1), que podem, ser agregados à produção a partir da percepção do empreendedor associado à suporte técnico e de marketing.

Quadro 1- Influenciadores de consumo, tendências e oportunidades para empreendimentos com produtos hortifrutícolas.

INFLUENCIADORES DE CONSUMO TENDÊNCIAS E OPORTUNIDADES
Saúde & bem-estar Consumidores estão mais conscientes de que há alimentos benéficos à saúde. Assim, são levados em conta produtos naturais, dietas com vegetais e alimentos com alto teor de antioxidantes, vitaminas etc.
Experiência Consumidores procuram boas experiências, o que significa que o consumo não está ligado somente à saudabilidade, mas também à apresentação do ambiente, à qualidade do serviço, à personalização do produto e ao envolvimento com o cliente.
Impacto social Passam a ter maior valor os produtos locais, que são sustentáveis. O transporte a longas distâncias aumentam as perdas, exige embalagens e consome muito mais energia. Neste caso, produtores de menor escala podem oferecer tais produtos por meio da venda direta, o que, tende a permitir uma maior renda para a atividade.

Corporações varejistas, já têm sido cobradas para a seleção de fornecedores com produções sustentáveis e ao trato com os funcionários/colaboradores.

Segurança Para o consumidor, não é apenas a questão do risco de um alimento para a saúde, mas, de características que, na sua visão, podem afetar a saúde em um longo prazo, abrangendo fatores como composição nutricional mais balanceada, menor lista de ingredientes e mais naturais, além da redução ou remoção de produtos alérgicos.
Transparência Consumidores demandam informações sobre a cadeia de produção do que estão adquirindo e querem ter acesso de forma clara e simples a respeito do alimento. Nesse sentido, toda a cadeia é envolvida, abrangendo desde a rotulagem mais “limpa”, de fácil entendimento até certificados de produção e rastreabilidade.

FONTE: Deloitte e Euromonitor apud Moda, Gonçalves e Barbieri, 2019.

Essas tendências seguem a outros apontadas há algum tempo como oportunidades para o mercado de frutas e hortaliças como por exemplo: conveniência e praticidade, sensorialidade e prazer, sustentabilidade, confiabilidade e ética (INOUE; SILVEIRA; VIANA, 2010). Nesse caso, para os autores em conveniência e praticidade há as oportunidades para os produtos minimamente processados, hortifrutícolas industrializados, suco de frutas prontos e serviços de alimentação, especialmente voltados à refeições fora do lar. Para a confiabilidade citaram produtos com certificados de boas práticas agrícolas, marcas próprias e uso da inovação tecnológica para melhorias na qualidade do produto, especialmente em embalagens. Além disso, apontaram o crescimento do mercado para produtos com certificados socioambiental, como os selos: Fairtrade Labelling Organizations, Rainforest Alliance e do Instituto Biodinâmico e de Indicação Geográfica. Já para sensorialidade e prazer, indicaram o fornecimento de frutas e hortaliças para a alta gastronomia e a inserção dos empreendimentos com o turismo rural, especialmente para regiões próximas a grandes centros urbanos.

Portanto, essas considerações sugerem a necessidade de aperfeiçoamento continuo na atuação com as atividades agrícolas, visando superar os desafios normalmente presentes em todos os negócios, tais como: os clientes cada vez mais atentos, conscientes e exigentes; a concorrência mais acirrada e que precisa ser superada; a disponibilidade cada vez maior das tecnologias, exigindo a predisposição e agilidade para adquirir os novos conhecimentos e as legislações, principalmente as sociais, trabalhistas, ambientais e econômicas, que precisam ser conhecidas e atendidas. E para tanto, o caminho é a predisposição para a forma de gestão da atividade considerando todos os aspectos associados ao empreendimento.

E qual é o caminho para a gestão da qualidade com os produtos agrícolas?

Um conceito básico com o propósito de atender a geração de produtos de qualidade é de Agricultura Sustentável. Segundo Marouelli (2003), houve um momento, da década de 1980, que no setor agropecuário, o significado “sustentável” passou a atrair a atenção de maior número de profissionais, insatisfeitos com a chamada agricultura “convencional” ou “moderna”. Com isso, desde o final dos anos de 1980 proliferaram as tentativas de definir o que é a agricultura sustentável, indicando o desejo de um novo padrão produtivo que pudesse garantir a segurança alimentar sem agredir o ambiente. Assim de um modo geral, a proposta da Agricultura Sustentável, coloca um conceito que busca contrapor a forma como a agricultura é normalmente praticada, inserindo no processo a integração das questões ambientais, sociais e econômicas, pilares do desenvolvimento sustentável.

Para o Grupo Consultivo em Pesquisa Agrícola Internacional, a Agricultura Sustentável é aquela que se estabelece no sentido de “envolver o manejo bem-sucedido de recursos para agricultura, visando a satisfazer as necessidades variáveis da humanidade, mantendo ou melhorando a qualidade do meio ambiente e conservando os recursos naturais” (BRASIL, 2001).

No Brasil, há empreendimentos agrícolas adotando sistemas voltados para a gestão da qualidade, adotando as bases da sustentabilidade na agricultura, inclusive para a produção de hortaliças e em especial o de frutas para exportação. Todavia, a adoção é bem aquém das necessidades do setor e, os que o fazem, têm subestimado os benefícios que poderiam ter. Portanto, ao mesmo tempo que surge como desafio para o segmento, vem também, como grande oportunidade para os empreendedores e para os profissionais de diversas áreas.

As organizações em todo o mundo buscam alternativas que os insiram no mercado em condição superior à de seus concorrentes e uma dessas é com a implementação da gestão da qualidade. Os espaços para atuação são vários, todavia os sistemas mais conhecidos e utilizados pelo setor estão relacionados com as Boas Práticas Agrícolas – como a GlobalGAP e a Produção Integrada. Além desses há as formas de atuação com base nos conhecimentos agroecológicos, sendo a mais comum a agricultura orgânica.

Recentemente Moda et al (2020) apresentaram o resultado de uma análise da percepção do consumidor sobre frutas e hortaliças, via pesquisa pelas redes sociais, partindo do fato de que como a população tem o hábito de estar frequentemente conectada a elas, essas passam a ser uma interface importante para compreender hábitos e preferências dos consumidores. Daí detectaram que os temas mais associados aos comentários dos internautas eram: culinária, saudabilidade, preço, praticidade, qualidade e sustentabilidade. Assim sendo, pode-se nesse contexto realizar pelo menos duas considerações: a primeira referente à consolidação de temas para serem apreciados pelos envolvidos com a atividade agrícola, e outra, o quanto as redes socais podem ser uma ferramenta para indicações, tanto para os empreendedores, quanto para os profissionais inovarem nos empreendimentos de negócios com a agricultura.

 

REFERÊNCIAS

BRASIL. Lei 8078 de 11 de setembro de 1990. Dispõe sobre a proteção do consumidor e dá outras providências. Diário Oficial [da] República Federativa do Brasil, Brasília, 12 set. 1990. Disponível em: . Acesso em: 17 maio 2020.

BRASIL. Instrução Normativa MAPA/SARC nº 12 de 29 de novembro de 2001. Diário Oficial [da] República Federativa do Brasil, Brasília, 13 dez. 2001. Disponível em: . Acesso em: 16 maio 2020.

BRASIL. Decreto n° 6.268, de 22 de novembro de 2007. Diário Oficial [da] República Federativa do Brasil, Brasília, 23 nov. 2007. Disponível em: . Acesso em: 8 maio 2020.

FORSYTHE, S. J. Microbiologia da segurança alimentar. GUIMARÃES, M. C. M.; LEONHARDT, C. (Trad.). Porto Alegre: Artmed, 424p. 2005.

HEWETT, E. W. An overview of preharvest factors influencing postharvest quality of horticultural products. International Journal of Postharvest Technology and Innovation, v. 1, n. 1, p. 4–15. 2006. Disponível em: . Acesso em: 11 maio 2020.

INOUE, K.; SILVEIRA, M. S.; VIANA, M. M. Desafios e oportunidades de agregar valor na cadeia de hotifrutis. Hortifruti Brasil, Piracicaba, ano 9 n. 92, p. 8 – 19, julho de 2010.

MAROUELLI, R. P. O desenvolvimento sustentável da agricultura no Cerrado Brasileiro. 2003. 54 f. Monografia (Pós Graduação em Gestão Sustentável da Agricultura Irrigada) – ISAE-Fundação Getúlio Vargas, Brasília, 2003.

MITCHAM, B. Quality Assurance for Strawberries: A Cause Study. Perishables Handling Newsletter Issue. 85 ed. 1996. Disponível em: . Acesso em: 18 maio 2020.

MODA, L. R.; GONÇALVES, I. C.; BARBIERI, M. G. O consumidor de frutas não é mais o mesmo. Hortifruti Brasil, Piracicaba, ano 17 n. 187, p. 10 – 13, março de 2019.

MODA, L. R et al. O que os internautas falam sobre os HF’S? Hortifruti Brasil, Piracicaba, ano 19 n. 197, p. 10 – 15, fevereiro de 2019.

WILLS, R. H. H et al. Postharvest: an introduction of the physiology and handling of fruit and vegetables. Westport, Conn: AVI Publishing Company Inc., 1981. 163 p.

Com a OMS declarando situação de pandemia do novo corona vírus em março deste ano, passamos a vivenciar situação totalmente atípica. Alteramos as tarefas familiares, as formas como executamos nossos trabalhos/estudos e até adaptamos as rotinas de lazer e saúde.

No campo econômico, que, obviamente, não está à margem desse movimento, emergiu um debate que ainda se faz relevante: o balanceamento entre as medidas que dedicam esforços à proteção da saúde, e aquelas que visam proteger emprego e renda.

Muitos já tratam essa crise, nomeada “o Grande Confinamento”, como a maior desde a depressão de 1929. Os números do Mercado financeiro nacional foram fortemente impactados, e em proporções até maiores do que em nossos pares. Vimos grandes oscilações, por exemplo, nas curvas de juros e no índice Ibovespa – o qual apresentou queda na casa dos 40% quando comparado ao início do ano.

As projeções apontam forte recuo no PIB brasileiro, a desvalorização duradoura da taxa de câmbio e, vale ressaltar, que a extensão desse movimento ainda é incerta.

Como resposta, se fez necessário adotar medidas de combate à recessão e o governo nacional passou a publicar pacotes de incentivo à economia. Tanto de reforço aos estados e municípios, como para as famílias e empresariado.

Claramente, esse mar revolto não é exclusividade do mercado doméstico. Todo o globo está direcionado à recessão econômica e não há quem esteja dispensado de tomar decisões de gastos para o fomento econômico. Logo, é diante deste cenário que se torna crucial demonstrarmos zelo e responsabilidade com o dinheiro público.

As delimitações de direção, volume e fontes dos recursos à serem utilizados nesses incentivos econômicos​, é que determinarão o fôlego que teremos para a arrancada após atravessado o período de exceção.

É importante que sejamos eficientes nas ações, atingindo os agentes estratégicos e não colocando nesta conta despesas ótimas de outros fatores.

Adicionalmente, existe a preocupação quanto ao prolongamento dessas medidas. Em um cenário positivo, elas ficariam restritas ao presente ano e voltaríamos à agenda de reformas já no ano seguinte, em continuidade à trajetória indicada anteriormente.

Fato é que: as consequências deixadas pelo Covid-19 ainda perdurarão por certo tempo após a pandemia e que esta é uma ótima oportunidade para nos postarmos com planejamento, capacidade de gestão e comprometimento com o desenvolvimento nacional.

Assim, iremos sinalizar mundialmente que somos um ambiente seguro e próspero para atração de investimentos.

Weven Feitosa

Graduado em Ciências Econômicas, especialista em Gestão empresarial, Mestre em Ciências Contábeis. Professor da Faculdade FAVENI – Venda Nova do Imigrante/ES.

Semana da Enfermagem apenas para alunos do curso presencial de Enfermagem da Faculdade FAVENI em Venda Nova do Imigrante/ES.

A disciplina Corporeidade, Ludicidade e Educação é realizada todos os anos com os alunos do 5º período do curso de Pedagogia da Faculdade FAVENI. Muito prática, tendo em vista a necessidade de se mostrar aos alunos como o corpo, o lúdico e a educação estão intimamente ligados. Neste primeiro semestre de 2020, devido à pandemia do COVID19, teve que se adaptar a uma nova modalidade de ensino. O ensino remoto.

O primeiro momento da disciplina, nessa nova modalidade de ensino, se deu a partir da segunda quinzena de março e em abril, e esteve relacionado com toda a sua parte teórica.

A partir do mês de maio então deveria ter início a parte prática, pois esta tem que ser trabalhada com os alunos do curso de Pedagogia para que eles percebam a complexidade das atividades e sua importância no crescimento cognitivo, motor, social e emocional das crianças nas escolas.

A solução encontrada para a realização desse trabalho foi de executá-lo em casa, com os membros da família que aceitassem fazer parte desse novo desafio. O resultado simplesmente foi maravilhoso. Pais, mães, filhos, tios, sobrinhos se uniram aos alunos e realizaram as atividades da melhor maneira que conseguiam. Cada um com suas limitações e experiências.

Todos os alunos que realizaram as atividades foram unânimes em dizer quanto a família gostou da experiência, quanto eles se sentiram companheiros ao auxiliar e também como foi grande o aprendizado, pois o corpo reage em adultos e crianças de maneira diferente com relação às propostas, mas não só isso, como o trabalho com o corpo, feito desde a escola (ao trabalhar coordenação motora, lateralidade, entre outros) e a sua constância traz também resultados diferentes.

Pode-se dizer que a tarefa foi extremamente gratificante para a faculdade, para os alunos e para a família e mais. Como foi importante perceber que, mesmo em meio a tantas questões relativas à pandemia, os alunos do 5º período de Pedagogia da Faculdade FAVENI estão totalmente empenhados em fazer desse um grande momento de aprendizagem.

A expressão “desenvolvimento sustentável” virou clichê nos discursos empresariais e de governantes nos últimos tempos. Mas buscar um modelo de desenvolvimento que possa aliar os aspectos ambiental, econômico e social não é tarefa fácil. Conciliar os interesses econômicos de empreendedores com responsabilidade ambiental é, na verdade, o grande desafio a ser enfrentado atualmente pela sociedade.

A utilização dos recursos naturais opõe o interesse coletivo na necessidade de manutenção do equilíbrio do meio ambiente e o interesse individual que se expressa na sua exploração para obtenção de lucros. Os conflitos gerados pela oposição de interesses individuais e coletivos fazem com que o Poder Público deixe de ser o único promotor da preservação ambiental.

A tarefa de proteção deve envolver, assim, além do Estado, os diversos segmentos da sociedade e, principalmente, a iniciativa privada. O Estado deve orientar sua atuação de modo que os agentes econômicos que se beneficiam, direta ou indiretamente, da exploração dos recursos ambientais possam fazê-lo em conformidade com as diretivas de preservação e conservação por ele estabelecidas.

O modelo de desenvolvimento adotado ao longo da história proporciona grandes evidências de que o planeta pede socorro. Os recursos naturais têm sido utilizados em maior escala do que sua capacidade de regeneração, caminhando para ocorrência de um colapso ambiental que afeta diretamente a qualidade de vida humana.

O atual ritmo das atividades humanas sobre o meio ambiente precisa ser revisto pois é nítida a sobrecarga que tem gerado. É preciso minimizar os impactos porque a manutenção do atual modelo de exploração já deu claros sinais de inviabilidade. A questão passa pela necessidade de mudança de hábitos. Por essa razão, entender o licenciamento ambiental apenas como medida burocrática imposta pelo Poder Público é visão arcaica que precisa ser superada pelos modernos gestores.

Essa proximidade entre poder público e particulares na tarefa de proteção ambiental culmina no desenvolvimento de um novo modelo de Estado e num novo modelo de cidadão, mais consciente da ruína dos recursos naturais e preocupado com o uso racional e solidário dos bens ambientais.

As atividades econômicas potencialmente causadoras de impactos ao meio ambiente devem sujeitar-se ao processo de licenciamento porque ele se destaca como um dos principais mecanismos estatais de controle e mitigação de efeitos, vez que objetiva assegurar o respeito ao meio ambiente quando da instalação e operação de empreendimentos e obras.

A ausência de licenciamento, além de desserviço à sociedade, torna-se uma ameaça direta ao desenvolvimento de atividades industriais e econômicas. Assim, a valorização do licenciamento ambiental é de fundamental importância para as empresas que desejam associar sua marca ao cumprimento das normas ambientais em suas atividades.

O consumidor, cada vez mais consciente e enxergando o reflexo de suas ações no meio ambiente, começa a exigir das empresas o rígido cumprimento às leis ambientais. A procura por produtos e serviços com selos de proteção ambiental cresce na mesma proporção da rejeição por produtos ambientalmente incorretos.

Portanto, é preciso encarar o licenciamento ambiental como ferramenta de concretização da responsabilidade empresarial. Somente dessa forma será possível obter resultado efetivo na preservação do meio ambiente, já que uma empresa não pode ser considerada responsável, do ponto de vista socioambiental, se não respeita a legislação ou deixa de priorizar uma atuação que possa impactar diretamente na qualidade de vida da população.

Daí a importância de uma assessoria técnica que seja capaz de verdadeiramente proporcionar soluções nesse aspecto, diminuindo entraves burocráticos e fomentando um planejamento apto à associação da marca a ações amigas do ambiente.

Frederico Rodrigues Silva é coordenador do curso de Direito da Faveni, advogado, mestre em Ciências Jurídico-Políticas e Doutorando em Direito Ambiental pela Faculdade de Direito da Universidade de Lisboa.